No âmbito da iniciativa "Arte em Agosto", promovida pelo
Centro Cultural de Belém,
este ano com o tema: "Arte em Portugal - Século XX", irei, nos próximos dias, sistematizar breves apontamentos das sessões.
A primeira sessão foi proferida por Bárbara Coutinho.
Apontamentos sobre arte em Portugal (1910/1920)

O início do século XX, em Portugal, na transição entre a Monarquia e a I República,
é marcado por um forte sentido naturalista que se funda num ensino académico. Permanecia a ideia e o gosto por uma
«"tradição" nacional oposta à contemporaneidade internacional». Neste sentido, enquadram-se
as obras de
Silva Porto (1850 - 1893), Marques Oliveira (1853 - 1927),
José Malhoa (1855 - 1933)
e
Columbano Bordalo Pinheiro (1857 - 1929).
Neste contexto, surgem ideias inovadoras que procuram a mudança. Os sinais de ruptura moderna surgem com:
-
1911 - Exposição dos Livres (liderada por Manuel Bentes, 1885 - 1961).
Esta exposição afirma-se como moderna por ser anti-académica.
-
1912 - 1926 - Salões dos Humoristas Portugueses (entre Lisboa e Porto). Nestas mostras de
caricaturas e ilustrações são evidentes as influências francesas na composição,
no traço e no contraste de cores claras. Abandono dos efeitos claro-escuro.

Associados ao desenho humorista destacaram-se: Christiano Cruz (1892 - 1951);
Emmérico Nunes (1888 - 1968); Jorge Barradas (1894 - 1971) e António Soares (1894 - 1978).
Destes, Christiano Cruz assume especial importância, através do traço, das cores e da
composição. Das suas obras destacam-se: "O Rei Tenista (Afonso XIII de Espanha (?)"(1913), "Soldado Morto" (1915) e "Cena de Guerra" (1916-1918).
A estética futurista é sustentada, em Portugal, por Guilherme Santa-Rita (1889 - 1918) e
Almada Negreiros (1893 - 1970).
O Futurismo afirma-se primeiro na revista
Orpheu (números 1 e 2, respectivamente de Março
e Junho de 1915) e na revista
Portugal Futurista (1917), apenas com um número único que
foi apreendido. O texto, de Álvaro de Campos, "Mandado de Despejo aos Mandarins da Europa" é um dos textos que
contribui para que a revista não seja distribuída.
De Guilherme Santa-Rita, conhecem-se apenas algumas colagens publicadas nas revistas "Orpheu"
e "Portugal Futurista". É-lhe atribuída a obra "Cabeça " (1910), que não está assinada e apresenta características do cubo-futurismo. Diz-se que o pintor antes de falecer pediu ao irmão para destruir
toda a sua obra.
Amadeo de Souza-Cardoso é um nome incontornável na pintura do século XX, em Portugal.
Em 1906 parte para Paris, onde convive com grandes nomes da pintura (é amigo de Modigliani, com quem chega a fazer uma exposição). Em 1912, publica o
álbum "XX Dessins", que recebe elogios da crítica francesa. Em 1913, participa com 3
obras na exposição "Armory Show" (exposição de arte moderna europeia nos Estados Unidos).
Esta participação resulta da visita, a Paris, do crítico americano Walter Pach.
Com a I Guerra Mundial, regressa a Portugal. Morre em 1918, com 31 anos, vítima de
pneumónica.
As suas últimas pinturas denotam uma interpretação do cubismo sintético e antecipam
algumas experiências dadaístas. Amadeo teve um percurso meteórico e produziu uma obra ímpar em Portugal.
A década de 20 é marcada pelo Jazz e pelo FoxTrot. A ilustração irá ganhar expressão
em diversos jornais e revistas.
Entre 1922 e 1926 surgem as revistas "Contemporânea" (projecto do arquitecto José Pacheko) e "Athena- Revista de Arte", em 1924, dirigida por Fernando Pessoa. Publica-se também
a revista "Ilustração Portuguesa" (dirigida por
António Ferro entre 1921 e 1922) e os magazines "ABC", "Civilização" e "Bertrand".
Os jornais e as revistas publicam ilustrações e comentários humoristas. Almada Negreiros,
Eduardo Viana (1901 - 1967), Jorge Barradas (1894 - 1971),
Diogo Macedo (1889 - 1959)
são alguns dos artistas plásticos que se destacam, especialmente na concepção de capas de revistas.
Como espaços de convívio, troca de ideias entre artistas, poetas e modernistas de Lisboa destacam-se o café
"A Brasileira" e o "Bristol Club" (encerrado em 1927). Frequentados por personalidades
como Fernando Pessoa, Stuart de Carvalhais (1887 - 1961), Almada Negreiros, Eduardo Viana,
Jorge Barradas, António Soares, Leopoldo de Almeida, Canto da Maia, entre outros nomes. Estes locais
foram muito importantes para a divulgação da produção artística e do debate cultural da época.

A proposta moderna da década de 20 é marcada por:
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1923 - Exposição dos Cinco Independentes
(Os cinco expositores foram: Francisco Franco, Diogo Macedo, Dordio Gomes, Henrique
Franco e Alfredo Miguéis. Como convidados: Almada Negreiros, Eduardo Viana e Milly Possoz).
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1925 - I Salão de Outono (organizado por Eduardo Viana)
Aqui são expostas as obras realizadas para a decoração do café "A Brasileira" no Chiado.
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1926 - II Salão de Outono (organizado por José Pacheko)
São expostas parte das obras do "Bristol Club".
A década de 10 é marcada por um efémero modernismo, enquanto a década de 20 é marcada pelo
regresso à figuração e ao trabalho da pintura.